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Programa Lideranças Virtuosas - Debate sobre o Livro: “Reinventando as organizações"


capa do livro reinventando as organizações

Hoje foi o dia de debatermos a quinta obra da nossa série de livros do Programa Lideranças Virtuosas 2023. O livro, escrito por Frederic Laloux, foi considerado o mais influente livro sobre gestão da década de 2010.


Nesse livro, Laloux elaborou um verdadeiro guia para executivos e empreendedores reformularem as suas organizações a partir de um novo paradigma de gestão humanizado, produtivo e com propósito. O foco está em demonstrar o CUSTO HUMANO, mostrar que, atualmente, para a maioria das pessoas, a vida organizacional é considerada um fardo, um local de sofrimento psicológico sem qualquer significado, gerando uma profunda sensação de vazio não somente nos escalões inferiores, mas também na alta gestão.


Para Laloux, o mundo ideal é justamente o contrário! Que as empresas sejam um espaço de crescimento pessoal, bem-estar e autorrealização, capaz de florescer o nosso potencial humano: que sejam “organizações com alma”! Mas, para alcançarmos isso, o autor ressalta que é preciso efetuarmos mudanças estruturais nas organizações, e não somente incrementais.


Para facilitar a compreensão dos conceitos trazidos por Laloux, ele se refere a cada um dos nossos sucessivos estágios evolutivos por meio de um esquema de cores:


(i) Primeiro estágio: Vermelho – organizações funcionando, frequentemente, com base na violência e na coerção, com uma estrutura desorganizada e centrada no “aqui e agora”.

A melhor metáfora para descrever este tipo de organização é a alcateia de lobos comandada por um macho alfa por meio do medo.


(ii) Segundo estágio: Conformista-Âmbar – organizações extremamente adequadas para contextos estáveis, fundamentada no comando e controle.

A melhor metáfora para descrever este tipo de organização é o exército.


(iii) Terceiro estágio: Realizador-Laranja – organizações movidas pela quantidade ao invés da qualidade, onde a eficácia substitui a moralidade como parâmetro para a tomada de decisões. A melhor decisão é aquela que leva ao melhor resultado.

A melhor metáfora para descrever este tipo de organização é a máquina. As organizações passam a ser vistas como uma gigantesca linha de montagem na qual os seres humanos são meras engrenagens.


(iv) Quarto estágio: Verde – organizações que enfatizam a cooperação acima da competição e busca, sobretudo, equilíbrio, pertencimento, solidariedade e tolerância. As relações são mais valorizadas do que os resultados.

A melhor metáfora para descrever este tipo de organização é a família.

Exemplos: Southwest Airlines, Ben&Jerry, Barry-Wehmiller.

Laloux critica essas organizações em três dimensões: A busca constante pelo consenso, a manutenção da pirâmide hierárquica e a visão da organização como família, que pode descambar para o paternalismo.


(v) Quinta estágio: Teal (turquesa) – organizações caracterizadas pela capacidade de domar o medo, se desapegar do ego e viver em coerência com um conjunto de valores a serviço do bem comum e da vida do nosso planeta, com um senso de integridade e autenticidade.

A melhor metáfora para descrever este tipo de organização são os organismos ou sistemas vivos.

Laloux constatou a existência desse tipo de organizações ancorado em trabalhos de psicólogos do desenvolvimento humano, em especial Abraham Maslow, e trouxe vários exemplos no seu livro, como a Buurtzorg, FAVI, Patagonia, Morning Star, entre outras.


Na busca por compreender o que essas empresas têm em comum, o autor encontrou três principais características:


- a Autogestão: cada um dos pares atua como chefe em relação aos compromissos assumidos, ou seja, todos podem colocar o “chapéu de chefe” para tomar decisões importantes, lançar iniciativas, avaliar o desempenho dos colegas de trabalho, ajudar a resolver conflitos ou assumir a liderança quando uma ação é necessária;


- a Integralidade: criam um ambiente em que as pessoas se sintam confortáveis, seguras e convidadas a serem elas por inteiro, sem necessidade de desligar uma parte de si e colocar uma máscara na entrada do escritório (ex: levar seu animal de estimação, amamentar seu filho durante uma reunião);


- o Propósito evolutivo: que não se trata de mera declaração bonita fixada na parece ou no relatório anual, mas de uma verdadeira fonte de energia que inspira e dá decisão.


No decorrer do nosso encontro, Alexandre nos apresentou vídeos da Buurtzorg e da FAVI (empresas estudas no livro de Laloux) e indicou colocarmos o nome destas empresas e também da Morning Star no Youtube para encontrarmos vários vídeos interessantes que relatam como estas empresas Teal funcionam.


Além disso, ele nos mostrou um vídeo do empresário Ricardo Semler, da SEMCO, autor do livro “Virando a própria mesa”, sobre esta relação de liberdade no trabalho que confirma que isso em nada tem a ver com uma cultura local e sim com a natureza humana.


O interessante é que muito da resistência que encontramos nesses processos de mudança cultural está no middle management, pelo medo que há de se verem sem utilidade, ou o medo da comprovação de que o modus operandi que eles costumam usar para gerir a empresa e as suas equipes está ineficiente. É aqui que Alexandre menciona uma entrevista muito interessante com o CEO da Michelin (que vale a pena assistir) onde ele ressalta a importância de buscarmos essas conversas com o middle management para que eles coloquem o seu medo para fora e possam tratar destes medos para evitar quem sabotem a evolução e a mudança necessária dentro da empresa.


No Brasil um exemplo de empresa Teal é a MERCO.


O convite que fica da sessão de hoje é o de refletirmos sobre o CUSTO HUMANO dos modelos de empresas atuais, que focam no comando e controle, e a importância de mudarmos a nossa mentalidade, o nosso modelo mental, no sentido de abraçarmos estas mudanças propostas pelo livro de Laloux que são positivas sobretudo para as PESSOAS que trabalham nas nossas empresas, em especial diante desse mundo atual em que a vida pessoal e profissional está cada vez mais interligada!


Para ter acesso a uma espetacular resenha do livro “Reinventando as organizações”, preparada por Alexandre Di Miceli, que, inclusive, usei, como fonte de inspiração, para elaborar este breve resumo que escrevi aqui para vocês, basta adquirir o livro: “Pílulas de Liderança, volume 2” aqui.


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