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Programa FemLeader – Módulo 3 – Encontro 2

Flyer programa Fem Leader

Hoje continuamos o Módulo 3 que cuida de políticas públicas e privadas (ou redesenho institucional).


Iniciamos o nosso encontro retomando o ponto sobre as Ações Afirmativas e relembramos a Síndrome da Abelha Rainha.


Falamos também sobre a expectativa que criamos emrelação às líderes mulheres (de serem cuidadosas, atenciosas, carinhosas, por exemplo) e que não criamosquando se trata de líderes homens. Isso faz com que avaliemos as nossas chefes de forma pior do que os nossos líderes homens. Isso tudo por conta destes estereótipos de gênero.


A Angela nos apresentou dados interessantes de pesquisas que analisaram Homens que tem filhAs e que, por conta disso, podem ser nossos grandes aliados na defesa das causas “femininas”:


(i) juízes (EUA) que tem filhAs tendem a apoiar causas femininas (empoderamento feminino, igualdade de gênero, de salário, etc);


(ii) parlamentares (EUA), tanto do partido republicano quanto do partido democrata, que tem filhAs mulheres também foram pesquisados e verificou-se que cada filha aumenta consideravelmente a probabilidade de um voto “liberal”, especialmente quando o tema em debate envolve direitos reprodutivos.


(iii) Uma pesquisa realizada com CEOs (Dinamarca) verificou que se eles têm uma 1ª filhA e quanto mais filhAs eles têm, menor será a diferença salarial nas suas empresas.


Estes dados são importantes, em especial, quando pensamos que nos EUA há mais conselheiros e CEOs com o nome “John” do que todas as mulheres conselheiras juntas existentes no país exercendo estes cargos. Por isso é relevante compreendermos quem pode ser nosso aliado nestas causas que buscam diminuir esta lacuna entre homens e mulheres no mundo empresarial.


Angela também apresentou outros dados de pesquisas do Brasil muito desanimadores. De 2009 até 2019, ou seja, em 10 anos aumentamos apenas de 7% para 8% de mulheres em conselhos em companhias listadas, enquanto em vários outros países, inclusive no Japão, estes números são melhores do que o brasileiro. Mas, para tanto, foi preciso implementar políticas afirmativas de quotas nesses países. Caso contrário, esse avanço não seria possível.


No que se refere ao ambiente político, a Angela nos apresentou um dos maiores experimentos de políticas públicas do mundo. Este caso ocorreu em 1993 em vilarejos rurais na Índia. De acordo com esta política pública, deveriam ser reservados 1/3 dos assentos dos conselhos rurais para mulheres.


As cidades foram escolhidas randomicamente.

Como resultado deste experimento, o número de mulheres nos conselhos rurais aumentou de 5% (em 1993) para 40% (em 2005), superando a quota inicialmente estipulada. Além disso, vários outros resultados muito interessantes ocorreram nesses vilarejos. Verificaram que, nos lugares onde havia mulheres na liderança:


(i) Foram feitos mais investimentos em serviços públicos (água, estradas, educação) e também houve o aumento de denúncias à polícia, inclusive de estupros e violência contra mulheres;


(ii) Aumentou a participação ativa das mulheres em geral nas reuniões dos conselhos rurais em cerca de 25%;


(iii) Aumentou o número de denúncias de violência doméstica;


(iv) Aumentaram as reclamações das mulheres contra o fato delas não poderem entrar em templos;


(v) Houve a diminuição de estereótipos:  

- Enquanto que, ANTES desta ação afirmativa na Índia, os homens sem exposição a mulheres avaliavam pior as mulheres consistentemente, DEPOIS da ação, aqueles moradores que foram expostos a duas mulheres líderes (em dois mandatos subsequentes) passaram a avaliar melhor as mulheres, mudando as suas percepções sobre elas, superando esse viés inicial. Para além disso, os homens que foram expostos a duas mulheres, passaram a avaliar os homens como menos eficazes e competentes do que as mulheres.

- Mas, apesar desse avanço, um viés permaneceu nos homens mesmo após esta exposição às mulheres: é o chamado efeito likeability – competence, que fala do perfil “agentic”, estereótipo masculino.

- Além disso, mães e pais que são expostos a duas mulheres líderes têm uma probabilidade maior de quererem as suas filhas estudando mesmo após o ensino médio, falam de uma nova aspiração para as suas filhas (vida política, por exemplo) e as próprias FILHAS também começaram a dedicar menos tempo com cuidados domésticos e passaram a querer casar mais tarde, já que perceberam que têm outras possibilidades para além de cuidar da casa e dos filhos.


Esse estudo comprovou que uma ação afirmativa permite um aumento da representatividade que faz com que haja uma mudança de mentalidade e, consequentemente, a diminuição de estereótipos! Tudo isso vira um círculo virtuoso!


E no Brasil?


No Brasil, no ambiente político, temos quotas para candidaturas, mas não para assentos. Isso que gera no paísum enorme potencial para fraudes de candidaturas, ou seja, o uso de “mulheres laranja”, que muitas vezes sequer sabem que estão concorrendo para algum cargo político simplesmente para poder cumprir a quota de candidatura. O ideal para o Brasil seria podermos mudar a lei para passar a exigir um número mínimo de assentos para mulheres e não de candidaturas.


Angela nos apresentou três vídeos sobre a importância de políticas públicas para conseguirmos mudar o “sistema” de forma estrutural. Encontrei um deles aqui para dividir com vocês 😊.


O ideal seria termos empresas gender-neutral, mas,infelizmente, essa não é a nossa realidade, embora todas as pesquisas mostrem que nós mulheres somos tão ambiciosas quanto os homens.


Estamos, portanto, diante de um dilema: Ajustar o sistema (e não as mulheres) versus Sobreviver e prosperar no ambiente corporativo (enquanto o sistema não muda).

Então o que devemos fazer? Devemos aprender a navegar e a sobreviver nesse sistema para que possamos prosperar nestes ambientes até que mais políticas públicas e privadas sejam implementadas com o objetivo de diminuir esse gapentre homens e mulheres.


E aqui entramos na segunda metade do nosso encontro, que foi dedicada às técnicas para compreendermos a nós mesmas, entendermos o outro (e seus vieses) e conseguirmos contornar os vieses de gênero existentespara que possamos não somente “sobreviver”, mas, sobretudo, prosperar no ambiente corporativo.


Para nos inspirar, Angela começa com uma citação da Malala Yousafzai:


Do not wait for someone else to come and speak for you. It´s you who can change the world.


Conversas consigo mesma


Esta técnica sugere olharmos para como nós estamos, o momento em que estamos vivendo e considerar esse nosso estado de espírito atual (que muda a todo instante - se estou me sentindo mais frágil, mais forte e etc). De acordo com esse estado de espírito, a conversa consigo mesma deverá ser adaptada.


É importante criarmos uma rotina de autoconhecimento, que é muito relevante para o que chamamos de Gerenciamento de Impressões, que seria o “Controle consciente do que se comunica e como se comunica para moldar as impressões dos outros sobre você” (Kramer, 2016).


Assim, para conseguirmos sucesso nessa técnica de Gerenciamento de Impressões, precisamos nos ater aos seguintes fatores:


(i) Alto nível de autoconhecimento


(ii) Habilidade no uso das técnicas de comunicação masculina (Agentic) ou feminina (Comunal), conforme o caso.


A partir daí usaremos uma das duas técnicas de comunicação para evitar ou superar os vieses de gênero (double bind): a Agentic Communication (mais masculina, assertiva, direta, individualista, menos colaborativa) ou a Comunal Communication (mais feminina, mais cuidadosa, inclusiva, cooperativa, mais voltada para o grupo).

Angela menciona uma interessante pesquisa que investigou 132 alunos de MBA durante 8 anos (Sing et al., 2002) e verificou que mulheres com alto autoconhecimento e confortáveis com o uso das técnicas de comunicação Agentic e Comunal conseguem se adequar aos dois estereótipos e, assim, têm potencial para conquistar:

- 1,5 vezes mais promoções do que homens com estereótipo masculino (Agentic)

- 1,5 vezes mais promoções do que mulheres com estereótipo feminino (Comunal)

- 2 vezes mais promoções do que homens com estereótipo feminino (Comunal)

- 3 vezes mais promoções do que mulheres com estereótipo masculino (Agentic)

Os elementos cruciais para que nós mulheres possamos conquistar estes avanços na “corrida corporativa”:

- Alto desempenho

- Presença social

- Inteligência organizacional

- Comportamento político


Estes elementos todos dependem de sabermos fazer um bom e adequado Gerenciamento de Impressões! Para isso, precisamos nos preocupar realmente com o nosso público e adaptarmos a nossa comunicação conforme esse público, ou seja, fazermos um auto-monitoramento, que é o entendimento claro do nosso público para que seja possível haver uma conexão efetiva com esse público. É preciso observarmos a situação e ajustar a nossa comunicação em relação a ela (Gerenciamento de Impressões). E como fazemos isso? Observando a comunicação não-verbal:


- Observando as expressões faciais

- Fazendo contato visual

- Sorrindo (ou não sorrir) – sorrir tem relação com estereótipos de gênero. O sorriso abre portas e adere ao estereótipo feminino. Mas, ainda assim, é importante dosar o sorriso para evitar que sejamos “definidas” como “carinhosa demais”.

- Balançar a cabeça – também tem relação com estereótipos de gênero (feminino).

Fazendo uma boa observação destes tipos de comunicação não-verbal é possível, inclusive, aumentar a inteligência coletiva do grupo!

Angela aqui “abre um parêntese” para explicar que temos 9 tipos de inteligência. Mas, em geral, as organizações reconhecem apenas 1 delas, a inteligência analítica. Daí a necessidade da diversidade para alcançarmos essa inteligência coletiva.


Mas o que seria essa inteligência coletiva?

É a compreensão de o quanto um grupo é capaz de solucionar um problema específico e complexo com melhores decisões.

O que o MIT, em uma pesquisa de 2016 (Woolley et al), descobriu foi que uma maior inteligência coletiva não está relacionada ao nível de QI (individual) das pessoas do grupo. O que foi descoberto foi que o grupo mais inteligente (coletivamente) foi o que apresentou os seguintes fatores:

(i) maior média de sensibilidade social das pessoas (o quanto eu consigo “ler” o outro)

(ii) tempo similar de compartilhamento de ideias entre as pessoas (o quanto cada um participa, fala)

(iii) presença de mulheres

Ainda sobre Gerenciamento de Impressões, Angela lista as atitudes não verbais importantes para nós mulheres:

(i) GARRA (grit)

(ii) Tenacidade

(iii) Persistência

(iv) Autodisciplina

(v) Fortaleza

Um ponto importante que a Angela ressalta é o de termos uma perspectiva mais positiva e mais adequada do que nós somos e das nossas habilidades. Isso porque a nossa tendência é rebaixarmos as nossas próprias habilidades e sermos modestas demais, inclusive quando estamos analisando, por exemplo, uma oportunidade de emprego ou promoção.  

O mais importante:

NUNCA devemos acreditar que é nossa culpa quando encontrarmos um comportamento baseado em viés de gênero!


Angela finaliza o nosso encontro trazendo três vídeos sobre a importância de nós mulheres termos autoconfiança:

- um vídeo da DW muito impactante, sobre como é possível manipular a nossa mente e diminuir a nossa autoconfiança em apenas 5 minutos de conversa. É realmente importante estarmos atentas a isso 😉. O documentário completo pode ser encontrado aqui.

- e outros dois de Christine Lagarde que também tratam da importância de termos autoconfiança (aqui e aqui).


E por que é tão importante termos esta autoconfiança?Porque confiança é diferente de competência! Somos tão competentes quanto os homens, porém, em regra, temos menos confiança do que eles.

Pesquisas demonstram a diferença entre homens e mulheres em dois grandes aspectos, em razão dos nossos vieses inconscientes:


(i) Na avaliação de desempenho

Mulheres – a avaliação é muito mais severa e o desempenho é percebido como MENOR do que o real.

Homens – a avaliação é mais leniente e o desempenho é percebido como MAIOR do que o real.

 

(ii) Na atribuição de desempenho

Mulheres – atribuem seu sucesso a fatores externos: “trabalho duro”, “sorte” ou “ajuda” da equipe, recebem menos créditos por resultados bem-sucedidos e mais culpa pelos fracassos.

Homens – atribuem o seu sucesso às suas qualidades e habilidades inatas (excesso de confiança).


Quanto aprendizado nesse encontro! Agora estamos todas mais preparadas para combatermos estes vieses de gênero, graças a estas técnicas que a Angela dividiu conosco hoje 😉.


Até o próximo encontro!


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