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Workshop de Liderança, por Alexandre Di Miceli |Exclusivo para convidados Virtuous Company-2ª parte


flyer do workshop liderança virtuosa para o século 21

Esse mês tem sido muito corrido de trabalho e por isso não consegui participar ao vivo da segunda parte desse incrível Workshop, mas, felizmente, o Alexandre nos proporcionou acesso à gravação desse inspirador e emocionante encontro.


Hoje voltamos a falar de propósito e de valores e sobre a importância de os indicadores das empresas demonstrarem uma coerência com o seu propósito. Mas, para isso, as empresas precisam compreender qual é o seu propósito, que deve ir muito além dos resultados financeiros! Ter essa resposta é essencial!


Sem impor limites nessa busca incessante por resultado financeiro, invariavelmente a empresa enfrentará problemas éticos. Ética é, portanto, impor limites, mas, para isso, é preciso uma mudança de mentalidade dentro da empresa.


Alexandre cita a frase do Professor Ed Hess, autor do maravilhoso livro que já lemos, chamado “Humility: The New Smart”:


A nossa verdadeira competição não é com os outros é contra as limitações das nossas próprias mentes para continuarmos relevantes na era da AI” e completa trazendo um trecho lindo da conversa que tivemos com ele: “Se você olhar para todas as pesquisas sobre alto desempenho, a coisa mais importante para se ter em uma organização de alto desempenho é a troca emocional entre gestores, lideranças e as pessoas!”.


“A sua capacidade de liderar pessoas está diretamente relacionada à sua capacidade de se conectar com as outras pessoas, tratá-las com respeito, cuidar delas e dar a elas oportunidade para ter sucesso.”


Pesquisas já comprovam o quanto a emoção interfere no nosso processo de tomada de decisão e na nossa visão do mundo e o quanto precisamos da emoção, inclusive para tomarmos boas decisões. Mas, infelizmente, ainda há um desconhecimento absurdo nas organizações de como o ser humano funciona.


Cada vez mais, transformar uma empresa em uma comunidade vibrante (e não uma máquina perfeita) será a chave para o seu sucesso. Não se constrói uma comunidade com uma abordagem transacional, em um ambiente de desconfiança e de medo. Para construir uma comunidade vibrante é preciso bons relacionamentos, ambiente de confiança e emoções positivas.” Alexandre Di Miceli.


Alexandre comentou também sobre os impactos da desigualdade no ambiente corporativo e o fato de isso gerar um estresse crônico nas pessoas, já que o ser humano é, por natureza, comparativo. Se sentir “pobre” no meio em que você convive, se sentir o que “tem menos”, predispõe em nós consequências muito ruins, inclusive de saúde. É algo complexo e que merece um debate a parte.


O que fazer então, diante de tudo isso?


Alexandre sugere:


1. Dar o exemplo! Quem você é?


Liderança se refere à influência positiva e duradoura, e a melhor maneira de se criar essa influência é sendo o primeiro a dar o exemplo. Com isso, conseguimos criar autoridade moral e não uma autoridade meramente formal (que vem com o cargo). Essa sim é considerada liderança de verdade, pois é escolhida pelos seus colegas como resultado do Respeito (que conquistaram), dos Resultados (que alcançaram) e da Confiança (que a equipe possui sobre o futuro, ou seja, que terá sucesso com essa liderança).


Sobre “ser exemplo”, Alexandre sugere que sejamos o primeiro a: escutar, admitir o erro, dizer a verdade, confiar nos outros, manter seus compromissos, elogiar as pessoas, prestar contas dos seus atos e omissões, admitir que não tem certeza, assumir responsabilidade por resultados ruins, ser transparente (mesmo quando todos atuam com base em agendas ocultas), dar o benefício da dúvida, demonstrar respeito, compartilhar informações difíceis, ser leal com os que estão ausentes, escolher a mentalidade da abundância ao invés da mentalidade da escassez; ser corajosa; entre várias outras condutas.


“Muitas lideranças cometem o erro de começar pelo trabalho para só depois tentar construir relacionamento e credibilidade. Primeiro é preciso conquistar autoridade moral, conquistar relacionamentos, e só depois pensar no trabalho” – Stephen M. R. Covey


2. Confiar! Como você lidera?


Alexandre nos convida para refletir sobre eventuais oportunidades que nos foram dadas por líderes anteriores com base na confiança. Quando essa liderança confiou em nós! Interessante fazer esse exercício de reflexão (tive várias recordações felizes 😊).


Alexandre define confiança como sendo “quando nós voluntariamente nos colocamos em uma situação de vulnerabilidade com base em uma expectativa positiva em relação ao outro, ou seja, uma expectativa positiva em relação à sua competência e à ética do outro. Confiança significa correr riscos, abaixar a guarda!”


Esse é o maior ativo que uma empresa pode ter! A confiança! Isso torna um ambiente muito mais motivador para as pessoas, especialmente porque quando “depositamos” confiança em alguém essa pessoa certamente fará o melhor para provar que é digna da sua confiança!

Criar relacionamentos de confiança é a base para a felicidade humana e para o alto desempenho, conforme demonstram diversos estudos.


Infelizmente não se dá a relevância necessária à confiança nas empresas! Obviamente a confiança se constrói com o tempo e é algo que se desenvolve aos poucos, mas é essencial nos dias de hoje. Ambientes de desconfiança desenergizam, estressam, desconectam as pessoas e ainda exigem mais controles, burocracia e envolvimento de todos em tudo. Sem confiança não há agilidade na empresa! E agilidade, nos dias de hoje, é algo imprescindível para a sobrevivência das empresas.


Mas como confiar?

Por ser algo recíproco, alguém precisa dar o primeiro passo. Mas apenas isso não é suficiente, é preciso que sejamos claros nas diretrizes gerais, nas expectativas e na prestação de contas para que possamos construir a confiança ao longo do tempo. Há o risco em confiar? Sim, mas o risco (e o custo!) de não confiar certamente é superior, diante das consequências de um ambiente sem confiança!


Nas palavras do Alexandre: “Criar confiança mútua é a essência de uma boa liderança. Se você não pode confiar ou não consegue confiar nos outros, você não pode liderar! Porque liderança é construir relacionamento de confiança! Nada engaja mais do que estar imerso em um relacionamento de confiança”.



3. Inspirar! Conectar todos a um porquê!


A palavra “inspirar” vem de “inspirare”, que significa “injetar oxigénio”. Portanto, inspirar alguém é injetar vida nessa pessoa! E Alexandre explica que tem visto que o foco de hoje está muito em motivar as pessoas ao invés de inspirá-las! Sendo essa motivação baseada em um aspecto financeiro, no bônus ou na penalidade (a motivação extrínseca), que é meramente transacional, podendo acabar com a motivação intrínseca das pessoas quando retiramos essa “dependência” financeira que elas acabam por se “viciar”.

Logo, o trabalho de toda a liderança é o de inspirar as pessoas, até porque todos nós queremos nos inspirar e sentir que temos um propósito maior!


Aqui Alexandre traz um trecho da conversa que tivemos com Hubert Joly que diz: “Incentivo financeiro deteriora o bom desempenho”.


Nesse momento, Alexandre nos apresenta 10 recomendações práticas:


a. Realize check-in semanais individuais com cada pessoa da sua equipe + contato diário com interesse genuíno


Essa recomendação é fruto de pesquisa do Instituto Gallup, que já identificou que 70% da variação do engajamento entre equipes depende fundamentalmente da liderança.

Esses check ins semanais são informais, de curta duração, que devem conter basicamente duas perguntas:

(i) Quais são as suas metas dessa semana?

(ii) O que eu, como sua liderança, posso fazer para te ajudar?


b. Identifique e procure melhorar os pontos fortes de cada pessoa da sua equipa.


Pesquisas demonstram que a excelência é singular e não é replicável. Cada um tem a sua singularidade e atinge a excelência da sua maneira.

O que é o ponto forte? É o que gostamos, somos bons e temos maior impacto e potencial para realizar. Isso porque o nosso cérebro tem maior potencial de crescimento naquilo que já somos mais fortes.

No entanto, infelizmente, os “modelos de competências” partem da teoria errada sobre as pessoas de que temos que ser “moldados” e “redondos”, quase que todos iguais.

A boa liderança é a arte de alocar as pessoas nas atividades compatíveis com os seus pontos fortes, de forma a maximizar o impacto positivo para a organização.


c. Se concentre em proporcionar feedbacks positivos.


Isso porque o ser humano quer atenção e não críticas. Segundo o Instituto Gallup, o feedback positivo é 30 vezes mais poderoso do que o feedback negativo e 1.200 vezes mais poderoso do que ignorar as pessoas.


Isso porque a crítica ativa a amígdala, e quando ela é ativada não tem escuta, e sem escuta não há aprendizado, pois ficamos na defensiva, travamos e ficamos nervosos. Já os elogios ativam o nosso sistema parassimpático, fazendo com que fiquemos mais relados e abertos para o aprendizado. Por isso os melhores técnicos e professores praticam o reforço positivo!

Só que o hábito de focar no positivo é muito mais difícil, pois a nossa tendência, como seres humanos, infelizmente, é de olhar o que está ruim.


d. Dê o máximo de oportunidades sob o binômio liberdade-responsabilidade.


A melhor maneira de entusiasmar uma pessoa é oferecer a ela oportunidades. Mas com o cuidado de ter em mente que tirar da zona de conforto não significa incluir a pessoa na zona de terrorismo. Claro que ver os erros é parte do aprendizado rumo à excelência, mas não devemos nos concentrar em medir e controlar as pessoas, e sim em entusiasmá-las, dando-lhes oportunidades para melhorar e crescer.


e. Compare a pessoa com a sua potencialidade e não com as outras pessoas.


Cada pessoa é diferente uma da outra, com a sua própria história e capacidades diferentes. Comparar as pessoas é contraproducente e sempre mensurada de forma enviesada. Curvas forçadas são frequentemente causas de problemas. O que devemos fazer é procurar compreender se a pessoa está melhorando, se desenvolvendo, evoluindo e fazendo o melhor que ela pode fazer. Esse deve ser o foco!


f. Tenha foco no processo e no esforço diário, e não no resultado.


O foco no resultado é, sem dúvida, tentador, mas extremamente enganosos e eticamente perigoso. Pois a visão passa a ser transacional, o que gera frustração, stress, ressentimento. Para alcançar excelência é preciso se concentrar no esforço e no processo, ou seja, no “como” e não na consequência.


g. Construa acordos de desempenho ganha-ganha bilateralmente.


Ou seja, celebrar acordos de desempenho fortalece a confiança mútua, desde que haja expectativas claras + mecanismos de prestação de contas mutuamente acordados. Ou seja, faça um acordo “escrito a lápis”, que pode ser ajustado pelas partes com bom senso em função de eventuais mudanças. Mas isso tudo com um processo de diálogo constante, pautado em uma parceria horizontal e não uma imposição vertical. Assim o chefe passa a ser um coach!


h. Invista na autoavaliação ao invés da avaliação top-down.


Por que razão? Porque somos muito ruins em avaliar os outros em razão do nosso viés idiossincrático avaliador, pois 40 a 60% do resultado da avaliação diz mais sobre quem avalia do que sobre quem está sendo avaliado. Não conseguimos avaliar as pessoas de forma imparcial.

Segundo pesquisas do Gallup, apenas 14% das pessoas sentem que a avaliação de desempenho as inspira a melhorar. Em cerca de 1/3 dos casos, a avaliação desmotiva e piora o desempenho, cria ressentimento e faz com que a pessoa queira deixar a empresa.

Sendo assim, a avaliação é muito mais eficiente!


i. Tenha como objetivo criar um ambiente de elevada segurança psicológica.


Diversas pesquisas já demonstram que a segurança psicológica é a base das equipes de alto desempenho!

Mas como criar segurança psicológica?

Demonstrando disponibilidade, humildade, escuta ativa, vulnerabilidade, respeito e interesse genuíno no outro.

A segurança (física, financeira e psicológica) é a base de tudo para “funcionarmos” bem!


j. Tenha um coach ou mentor que tenha o objetivo de identificar oportunidades de melhoria. Que te dê “feed-forward” em vez de feedback.


Não conheço uma liderança que não tenha tido um mentor, pessoas que encontram nelas coisas que não sabiam que tinham”. (Warren Bennis)


Para finalizar, Alexandre nos traz um apanhado de virtudes que devemos cultivar para sermos melhores líderes:

(i) Humildade

(ii) Vulnerabilidade

(iii) Escuta de qualidade

(iv) Emoções positivas

(v) Cultivar a gratidão, autocompaixão e perspectiva positiva

(vi) Mentalidade da abundância (e não da escassez)

(vii) Pensamento sistémico (ver as coisas de uma maneira integrada!)


Mas se todos sabemos o que é preciso fazer, por que razão é tão difícil nos tornarmos uma liderança virtuosa?


Porque senso comum é diferente de prática comum!


“Saber e não fazer é o mesmo que não saber!” – é preciso AGIR! Não bastar saber o que deve ser feito! É preciso FAZER!


Alexandre cita então a necessidade de superarmos 7 barreiras:


1. “Já sou uma liderança virtuosa” (acharmos que somos “melhores” que os outros, em razão dos nossos vieses egocêntricos);

2. “Isso não funciona aqui” (ok, a gente não controla tudo, mas tem um autor que diz que podemos sim influenciar positivamente o nosso ambiente);

3. “Não sei abrir mão do controle”;

4. “Já tentei algo nessa linha e não deu certo”;

5. “Não sei se tenho a coragem necessária”; (quando a nossa autoconfiança supera o nosso medo, é quando nos tornarmos a nossa melhor versão);

6. “Eu, de fato, sou o mais esperto da sala”;

7. “É assim mesmo que eu sou!” (todos somos capazes de mudar para melhor! Todos os líderes inspiradores que vemos hoje passaram por um processo de evolução através do autoconhecimento e da quebra de paradigmas que acreditavam ser o correto!)


Ao vencermos essas barreiras, viveremos uma vida com mais autenticidade, coerência e autorrealização, causaremos mais impactos positivos na vida de outras pessoas, com menos estresse pessoal sobre terceiros e, consequentemente, com mais sucesso profissional.


O processo de se tornar uma boa liderança é o mesmo que permite a uma pessoa se tornar psicologicamente saudável e integrada”. (Bennis)


“O melhor presente, a maior caridade, a melhor forma de você contribuir para a sociedade é sendo uma liderança verdadeiramente humana. Isso significa tratar as pessoas que estão sob o seu cuidado com profundo respeito e dignidade, não como objetos para seu sucesso e riqueza.” (Bob Chapman)


Quanto aprendizado, quanta inspiração! Eu realmente não tenho palavras para agradecer pela generosidade do Alexandre em dividir conosco tanto conhecimento e pelos nossos amigos virtuoses em dividir as suas experiências, de forma genuína e transparente!


Só tenho a agradecer por fazer parte dessa comunidade de pessoas que buscam a todo o momento evoluírem como seres humanos!


Sorte a minha de fazer parte do Programa Lideranças Virtuosas!


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