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Programa FemLeader – Módulo 1 – Encontro 3

Atualizado: 4 de mai. de 2023



O terceiro encontro do Módulo 1 começou retomando o tema dos vieses.

Angela recapitulou o que falamos no último encontro sobre o Viés da Afinidade e, na sequência, nos apresentou novos vieses:

(iii) Viés da Conformidade Social (ou efeito manada)

Nós temos as nossas convicções pessoais, mas somos extremamente flexíveis e vulneráveis ao ambiente. Acabamos nos moldando à prática e cultura locais, ou seja, deixamos de fazer coisas ou passando a fazer coisas em virtude destas práticas. É a força das normas sociais!


Para demonstrar isso, Angela nos traz um vídeo muito interessante sobre esse viés.

Isso se reflete muito nas nossas empresas, onde muitas vezes fazemos determinadas tarefas que não fazem sentido apenas porque todos os demais estão fazendo. Pior, sequer questionamos ou refletimos sobre a razão de estarmos “imitando” os demais. Afinal de contas, quem nunca preencheu um formulário de determinada forma (e não de outra até mais eficiente) só porque “sempre foi assim”?


Quando pensamos sobre isso em teoria, nós realmente acreditamos que não seguiríamos as normas sociais, mas a realidade é que, na prática, todos nós somos extremamente suscetíveis a esse viés da conformidade social!


Há diversos outros vieses e não teria como tratar de todos nestes nossos encontros semanais! O importante é compreendermos que os nossos vieses são ainda mais fortes quando estamos em situações de dissonância cognitiva. E quando é que essa dissonância acontece? Quando falamos, por exemplo de:


- cargos de liderança: Quando falamos em “cargos de liderança”, normalmente pensamos em homens, não é? A dissonância ocorre justamente quando nos deparamos com uma mulher líder, por exemplo;


- tarefas ou trabalhos de nicho: Quando falamos em “babá”, normalmente pensamos em mulheres, não é verdade? Temos muitos estereótipos relacionados ao gênero quando falamos destas tarefas relacionadas ao cuidado (babá e enfermeira, por exemplo). Além disso, estas profissões são, na nossa sociedade, as menos valorizadas, apesar de essenciais;


- mulheres que são mães (mas não homens que são pais): Nós, mulheres e homens, temos uma avaliação interna que nos dificulta perceber uma mulher que é boa mãe e boa profissional ao mesmo tempo. A nossa mente, de forma inconsciente, gera essa dissonância por acharmos que uma mulher OU é boa profissional OU é boa mãe. O interessante (ou melhor, triste!) é que essa dissonância cognitiva não acontece quando falamos de homens pais que trabalham;


- critérios de avaliação imprecisos ou subjetivos: aqui é mesmo um “prato cheio” para a atuação dos vieses. Angela sugere que, antes de analisarmos um candidato, por exemplo, devemos definir critérios objetivos, listar as competências que preciso nessa pessoa e o “peso” de cada uma destas competências. Isso nos auxiliará para agirmos de forma menos enviesada possível;


- avaliadores cansados, com pressa, sobrecarregados, com fome, etc. (Sistema 1): Aqui a atuação dos vieses é muito forte! Daí a importância de nos cuidarmos, de priorizarmos o nosso tempo, etc, pois o ideal é usarmos o nosso Sistema 2 e só conseguiremos isso se estivermos descansados, bem alimentados e com tempo suficiente para refletir!


Para compreendermos melhor os nossos vieses de gênero, raça, homofobia, gordofobia e etc., a Angela nos indica o TAI (teste de associação implícita). Trata-se de uma excelente ferramenta de autoconhecimento!


E quais são os impactos dos estereótipos na nossa carreira executiva?


Os estereótipos afetam o nosso julgamento quanto ao desempenho das pessoas.

Por isso, nós mulheres, por exemplo, temos que ser mais preparadas e ter um desempenho muito maior do que os homens para sermos reconhecidas. A “barra” é muito alta para as mulheres e muito baixa para os homens. Já tentou analisar, por exemplo, o preparo das mulheres que estão em Conselhos de Administração em comparação com o dos homens nestes mesmos Conselhos? Certamente as mulheres, para conseguirem alcançar estes cargos devem estar muito mais preparadas.


Como exemplo disso, Angela nos mostra uma foto da conferência de 1927 de Solvay com 20 vencedores de Prêmio Nobel, sendo apenas 1 mulher. Justamente a única pessoa da foto (entre os 20) que ganhou esse Prêmio duas vezes: a Marie Curie (química)!


E por que isso acontece?


Porque nós, seres humanos, confundimos competência com confiança. Os homens, em geral, têm um excesso de confiança. Um grau de confiança muito maior do que o das mulheres. E pior, quando nós mulheres demonstramos muita confiança, isso acaba sendo confundido pelas pessoas com arrogância. Ainda assim, nós mulheres não podemos, de forma alguma, deixar de buscar aumentar a nossa autoconfiança! Até porque a competência está distribuída igualmente entre homens e mulheres. Ou seja, somos igualmente competentes.


Angela nos apresenta dois tipos de Estereótipos de Gênero:

Estereótipos Descritivos – O que acreditamos ser “típico” de cada gênero (traços e capacidades)

Estereótipos Prescritivos – Como achamos que os homens e as mulheres deveriam ser.


E que Estereótipos são estes?


Mulheres: cuidadosas, frágeis, bonitas, perfeitas, agradáveis e modestas.


Homens: bem-sucedidos, assertivos, confiantes, realizadores, fortes (sem fragilidade), “racionais.

É o famoso: “Mulheres cuidam, homens decidem!” É justamente quando nos deparamos com um homem cuidando e uma mulher decidindo que surge a dissonância cognitiva.

Para demonstrar isso, Angela nos mostra um vídeo que representa bem esta expectativa da sociedade desde quando somos bebês meninos e meninas (movimento “#heforshe”).


E por que compreendermos tudo isso é tão importante?

Porque para compreender a saúde (ou doença) de alguém, não devemos apenas considerar os fatores biológicos, mas também os fatores psicológicos e sociais, porque eles também nos afetam! (lembram do viés da conformidade que falamos acima?). Já há, inclusive, efeitos da percepção do preconceito e do acúmulo das microagressões no DNA das pessoas. Ou seja, se vivemos em ambientes tóxicos, isso interfere na nossa saúde, no nosso cromossomo, no nosso DNA. É o chamado modelo biopsicosocial de George Engel, 1977.


O que essas microagressões “significam” para os homens?


- taxas de suicídio maior (7 vezes maior do que mulheres), em razão, por exemplo, dessa pressão social de que devem ser fortes e não podem demonstrar fragilidade (“homem não chora”);


- mais agressividade (no trabalho e em casa) – essa pressão social acaba por gerar esta agressividade nos homens que pode, inclusive, levar à violência doméstica. Ou seja, a causa raiz das agressões dos homens às mulheres é muito mais profunda do que pensamos (já que os homens aprendem desde cedo que não podem compartilhar a sua dor, os seus sentimentos, que não podem ser vulneráveis e etc., o que o leva a se tornar mais agressivo, pois é a forma que eles têm de extravasar essa dor);


- desconexão emocional – ou seja, não compartilhamento dos sentimentos com a família e amigos.


Para demonstrar isso, Angela sugere um documentário relevantíssimo do Netflix chamado “The Mask You Live In” e também o “Precisamos falar com os homens” da ONU.


O que essas microagressões “significam” para as mulheres?


- Taxas de depressão maiores do que a dos homens;


- Taxas de esclerose múltipla maiores do que a dos homens e que vem crescido muito ao longo do tempo;


- Telômeros encurtados em mulheres negras (que reduz a sua estimativa de vida);


- Sentimento de que não podem ser imperfeitas (humanas!)


Ainda sobre o tema das microagressões, Angela nos apresenta algumas imagens:


(i) a de uma escultura egípcia (de um faraó que dominou o Egito por mais tempo na história – 25 anos). Esse faraó era uma mulher, Faraó Hatshepsut (1508 AC – 1458 AC). Angela nos conta que essa mulher faraó colocava barba e barriga falsas quando tinha que fazer discursos públicos. O que demonstra que essa nossa “necessidade” de nos travestirmos para nos parecermos mais com os homens (que “são” quem mais representam a ideia de poder) já vem de muitos e muitos anos;


(ii) a de Elisabeth Cady Stanton (1815 DC – 1902 DC), filha de um advogado que aconselhava viúvas (que ficavam totalmente desamparadas com a morte dos maridos, já que a lei não era favorável para estas mulheres). Desde pequena se engajou no tema dos Direitos Humanos e nos Direitos das Mulheres;


(iii) e uma foto dela mesma pequenina com a espada do He-Man 😊.


E o que estas imagens têm em comum?


A vontade inconsciente de ser homem, em razão de todas essas microagressões e injustiças que sofremos e também das oportunidades que os homens têm e que são muito maiores do que as das mulheres. No Brasil, por exemplo, até 2005, o estuprador não era punido se casasse com a vítima e ainda hoje é muito difícil punir estupro quando ocorre dentro do casamento. O nosso Código Penal está protegendo quem com estas normas? Claramente o homem!


Essas microagressões têm também reflexos diretos:


- nos processos de seleção (homens são mais contratados do que mulheres);

- na remuneração (desigualdade de salários – quanto MAIOR o cargo, MAIOR a desigualdade de salários entre homens e mulheres).


Para ilustrar, Angela nos traz dois vídeos que retratam essas agressões (verdadeiras violências!) que sofremos! Até porque estas injustiças que enfrentamos, são sim uma forma de violência!

(i) Vídeo que mostra um estudo feito com macacos que, para o mesmo trabalho, recebem remuneração diferente.

(ii) Vídeo feito com crianças que, para o mesmo trabalho, recebem remuneração diferente.


Nas empresas, estas microagressões representam 90% das agressões sofridas pelas mulheres, e para “concretizar” essa questão, Angela traz uma imagem com muitos insetos e o conceito de microagressões de Chester Pierce, 1974, professor de Harvard, homem negro que imprimiu o termo “microagressão”:


“Pequenas humilhações cotidianas, que podem ser verbais, comportamentais ou ambientais, intencionais ou não intencionais, que comunicam atitudes ou insultos hostis, negativos ou derrogatórios a pessoas negras.”


“Estes insultos à dignidade e à esperança de pessoas negras são incessantes e cumulativas. (…) Estes mini-desastres se cumulam.


E Angela traz um vídeo que faz esta analogia das microagressões com picadas de mosquito.


Que tipos de microagressões / violências podemos enumerar?


- Microataques: Ofensas raciais, sexistas, LGBTfóbicas (verbais ou não verbais) explícitas e geralmente intencionais, com o objetivo de ofender a vítima por meio de insultos, comportamento hostil ou ações discriminatórias (ex: “nossa você é tão inteligente para uma mulher!”).


- Microinsultos: Comunicação que mostra insensibilidade e diminui características da outra pessoa (origem racial, étnica, gênero, orientação sexual). Frequentemente é não intencional, e o insulto não é explícito. O fato deste tipo de conduta ser ou não uma microagressão depende em grande parte do contexto em que ocorre (ex: “nossa, como você conseguiu esse trabalho?”; manterrupting; manderstanding; etc).


- Microinvalidação: Comunicação que exclui ou invalida experiências, sentimentos e pensamentos de pessoas não-brancas ou de mulheres. Frequentemente é não intencional e não explícita.


- Manterrupting: Ocorre quando um homem interrompe a fala de uma mulher desnecessariamente, impedindo-a de concluir a frase.

Ex: Trump vs. Hillary: 35 interferências de Trump e 4 de Clinton (Vice)

Ex: Programa “Roda Viva” com os pré-candidatos em 2018: 8 interrupções a Ciro Gomes, 12 a Guilherme Boulos e 62 a Manuela d’Ávila.

Ex: Vídeo da Ministra Carmem Lúcia.


- Mansplaining: Ocorre quando um homem explica algo óbvio para uma mulher de forma didática, como se ela não fosse capaz de entender. A intenção, muitas vezes é desmerecer os conhecimentos e a competência da mulher em questão (mas, as vezes, é inconsciente mesmo!)


- Bropriating: Quando um homem se apropria da ideia que uma mulher apresentou antes e ganha os créditos por isso. Ex: Vídeo


- Manderstanding: Quando, em uma situação social, homens fazem uma piada que só os homens entendem, deixando as mulheres desconfortáveis.


- Gaslighting: É uma forma de abuso psicológico que visa fazer a mulher achar que enlouqueceu ou que está errada sobre um assunto em que estava certa. A ideia é fazer com que ela duvide das suas percepções e da sua sanidade. Ex: Filme “Gaslighting”.


Para terminar esse assunto (que é tão denso!) de forma um pouco mais leve e com muito humor, Angela nos passa um último vídeo, que vale a pena ver! 😊


E assim chegamos ao fim do nosso encontro. Até a próxima semana 😊


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